
Quando estive em Trindade (e quase sempre aliás), fiquei impressionada com o fato de que tudo, absolutamente tudo, corria o risco de virar um post.
Ando na Vila. Chove. Penso na solidão das manhãs de chuva. Mentalmente, escrevo um post. Cinco minutos depois, já esqueci.
Penso em mim, nas pessoas que vejo, no meu cansaço, na minha vida, nos meus amores. Mentalmente, escrevo outro post.
Penso nos relacionamentos on-line. Nos e-mails e sms que mando. Penso na impessoalidade de conversas ao vivo e nas incríveis coisas que um e-mail e um sms descomprometido pode dizer. Penso, mais uma vez nos meus amores, principalmente dos que não gostam de e-mails e de sms, rs. No desejo impossível de corresponder à fantasia do outro. Na minha vontade enorme de escrever mais, falar menos e agir mais. Mentalmente, escrevo mais um post.
Em uma roda de amigos, a maioria de infância, na beira do mar com uma vela ao meio, conversas, risadas, confissões, causos, cervejas, cigarros, bebidas, violão, música e cantoria...Muita cantoria, principalmente aquelas músicas que sempre abalam meu psicológico. Eu paro e penso na minha fissura pelas pessoas que eu amo, aquelas que estão presentes, aquelas que não, e na minha vontade de gritar e ao mesmo tempo esconder isso de todo mundo. Penso na minha família, no meu trabalho, na minha peregrinação diária por eles. Mentalmente, tudo isso vira mais um post.
Já deu meu horário de ir embora. Coisas e mais coisas, como flashs, como relâmpagos, passaram na minha cabeça ao longo do final de semana. Fico inquieta, quero escrever. Me iludo de que sei escrever. Tudo pode ser um grande assunto. O lanche do Muvuca, o Deus me Livre, as músicas, o luau, os porres, as bobeiras, as risadas, o vizinho da barraca, que é meio transcedental, meio alternativo, meio maconheiro.
Tem também as frases que disse e, na hora, achei absolutamente geniais, mas já esqueci todas... Ah, vai ver que nem eram tão boas assim. Mas naquele instante, mentalmente, também viraram um post. A minha vida se passa num post, com início, meio, fim.
Tudo isso se processou numa espécie de liquidificador e virou este post.
Aí eu penso e concordo: desencana, Camila. E pára de transformar a vida em post...
Ósculos & Amplexos!
Marcelo Camelo - Liberdade
"Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom
Daqui não
Eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares
Vou sonhando em outros ares, vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que eu já sou
Mesmo sem me libertar eu vou
É Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
De que vale ser aqui
De que vale ser aqui
Onde a vida é de sonhar?
Liberdade."


